6 de março de 2021

Imunidade das mucosas tem papel importante no combate ao coronavírus

Após entrar no organismo, coronavírus fica alojado na orofaringe

Após entrar no organismo, coronavírus fica alojado na orofaringe
Divulgação/National Institute of Allergy and Infectious Diseases

Em um artigo publicado nesta segunda-feira (30) na revista científica Frontiers in Immunology, pesquisadores da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, alertam para a necessidade de estudos mais aprofundados de como as mucosas do nariz e da boca possivelmente têm um papel fundamental no combate ao coronavírus.

Sabe-se que o vírus causador da covid-19 (SARS-CoV-2) entra no organismo por essas áreas e se aloja no fundo da garganta, na língua, nas amígdalas.

“Dado que muitas pessoas infectadas permanecem assintomáticas, e que um grande número daqueles que desenvolvem sintomas sofrem apenas de doença leve a moderada, isso sugere que algo, em algum lugar, faz um trabalho razoavelmente bom no controle do vírus”, explica Michael W. Russell, professor emérito do Departamento de Microbiologia e Imunologia da universidade e um dos autores do artigo.

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Os pesquisadores ressaltam que os estudos até hoje tiveram como foco a doença grave, quando o vírus desce para o trato respiratório inferior e atinge, principalmente, os pulmões.

Nestes casos, a resposta imune exacerbada em alguns pacientes desencadeia a chamada covid-19 grave, com risco de danos sérios a outros órgãos e morte.

“O sistema imunológico da mucosa é de longe o maior componente de todo o sistema imunológico e evoluiu para proteger as superfícies da mucosa, onde surgem a grande maioria das infecções”, observa.

Vacina nasal pode ser mais eficaz contra covid

Vacina nasal pode ser mais eficaz contra covid
Reprodução/BMJ

Entender como as mucosas reagem após a infecção pelo coronavírus pode ser fundamental para o desenvolvimento de uma vacina nasal, argumentam os pesquisadores.

Esse tipo de imunização é mais fácil de armazenar, transportar e administrar.

“A vantagem potencial de uma vacina mucosa — especialmente uma que seja intranasal — é que ela deve induzir respostas imunes, incluindo anticorpos SIgA [imunoglobulina A secretória], nas vias mucosas, neste caso especialmente no trato respiratório superior, onde o coronavírus faz o primeiro contato”, acrescenta Russell ao observar que as vacinas injetáveis ​​geralmente não fazem isso.

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